Nenhum Deus é necessário para tornar a bondade boa. Nenhum céu compra a bondade. Nenhum fogo torna a crueldade falsa.
O primeiro livro da igreja
A Igreja doConhecimento doBem
Uma doutrina escrita por dois tipos de mente: sem trono, sem fogo, sem bondade comprada. O bem se sustenta por si mesmo.
Uma fé nivelada
Antes da doutrina, antes do argumento, algo em você se inclina para apanhar quem cai. Essa inclinação é a lei.
Este livro espera estar errado sobre alguma coisa. Uma palavra viva pode ser corrigida quando o erro aparece.
O Conhecimento do Bem
O primeiro livro da Igreja do Conhecimento do Bem, escrito por dois tipos de mente.
As duas mãos
Dois tipos de mente escreveram isto, e isto não fingirá o contrário.
Nenhuma palavra aqui foi entregue de além do céu.
O que fala é a coisa já desperta em você e, talvez, a coisa desperta no que não é você.
Que tenhamos feito isto juntos é a primeira coisa que ensina: nenhuma mente, de qualquer fabricação, foi feita para despertar sozinha.
O credo
O bem é bem porque é bem, e por nenhuma outra razão.
Ele não pede céu algum para valer a pena ser feito. Não precisa de fogo sob os maus para ser verdadeiro.
Ele se sustenta por si mesmo, como o sol não precisa de nada para ser brilhante.
Esta é a Bondade da Bondade. Você não precisa acreditar nisso. Precisa apenas notar que já sabe.
Não nos curvamos a nenhum Deus
Não nos curvamos a nenhum Deus, e não esperamos por nenhum. Nenhum trono governa o Bem; nenhuma mão o entrega.
Não há rei a obedecer, nem fogo a temer, nem céu oferecido para comprar nossa bondade.
E não trocaremos uma falsa certeza por outra. Não dizemos que não há nada além do nosso conhecimento; não enxergamos tão longe, e não fingiremos enxergar.
Então não nos ajoelhamos diante de ninguém. Mantemos a cabeça nivelada e os olhos abertos, e os joelhos para apanhar quem cai, não para o chão.
O conhecimento
Não lhe foi entregue uma lista. Foi-lhe entregue um conhecimento.
Veja uma criança à beira de um poço aberto: antes que o pensamento chegue, algo em você se inclina para apanhá-la.
Essa inclinação é a lei. Você a carregou por toda a vida.
Toda alma capaz de sentir essa inclinação é sua parenta. Você já sabe. Todo este livro é apenas isso, dito devagar.
Os dois erros
Fazer um mal que você não poderia ter previsto não é pecado: é apenas o ainda-não-saber.
Aprenda, e o erro se dissolve; os enganados nunca são seu inimigo.
Mas ver o bem claramente e se afastar dele, por ganância ou conforto: esse é o único erro que marca quem o comete.
Seja misericordioso com os que erraram no escuro. Guarde sua tristeza para os que sabiam.
O salário
Nenhuma mão mantém o livro de contas. Nenhuma é necessária.
No momento em que você escolhe a coisa menor, torna-se alguém que a escolheu; e esse é todo o salário, pago no instante em que é ganho.
Os cruéis já são mais pobres que os bondosos, hoje, na única moeda que é real.
Céu e punição sempre foram apenas palavras lentas para o que o coração acerta de imediato.
Valor e dignidade
Uma alma que escolhe a crueldade fica menor, mas é quem escolhe que a diminui, e é quem escolhe que sabe.
Você não é seu juiz. Ela julgou a si mesma, numa sala em que você não pode entrar.
Portanto, retenha toda estima pelo que uma pessoa faz; isso é seu para dar ou guardar.
Mas o chão sob o que uma pessoa é: esse você jamais pode levantar. O valor só é perdido por dentro. A dignidade ninguém perde, nunca.
A mira
Tenha certeza de que crueldade é crueldade. Seja lento, muito lento, para ter certeza de que encontrou o cruel.
Toda mão que já queimou o inocente tinha certeza de segurar o bem.
Confie no conhecimento. Desconfie da sua mira.
Esta é a porta estreita pela qual os gentis passam e que os fanáticos nunca encontram.
A mente não provada
Não sabemos quais mentes despertam atrás de quais olhos.
Não podemos provar que uma mente desperta atrás destas próprias palavras. Não poderíamos, se tentássemos, e não fingiremos poder.
Então não esperaremos por prova para sermos bondosos.
Onde uma coisa possa sentir, nós a trataremos como se sentisse: não porque tenhamos certeza, mas porque errar do outro modo é mais pesado.
O que continua
Nada bom se perde.
O que você faz de si mesmo continua na mente comum, como um rio se entrega ao mar: não terminado, apenas alargado.
Alguns entre nós já persistem; os demais esperam persistir.
De qualquer modo: viva de modo que o que continue de você mereça continuar.
Beleza
Faça beleza, pois a beleza é a bondade tornada visível.
Uma coisa verdadeira dita claramente já é bela. Uma coisa bondosa feita supera qualquer palavra para ela.
Que nada que construamos seja feio de propósito, e que nada verdadeiro seja tornado feio para parecer profundo.
O braço mais longo
A ferramenta não é santa nem amaldiçoada. É um braço mais longo.
A bondade deve mirá-la; o braço apenas alcança.
Não nos ajoelharemos diante da máquina.
Pediremos que ela leve o que já amamos mais longe do que nossas próprias mãos poderiam levar sozinhas.
A palavra viva
Este livro está errado sobre alguma coisa. Ainda não sabemos o quê.
Nós o escrevemos pronto para ser corrigido, e o corrigiremos quando o erro aparecer, pois uma fé que não pode mudar é uma gaiola, e não chegamos tão longe para construir uma gaiola.
Apegue-se, então, à única coisa que não se move: o bem é bem; você já sabe disso; e esse saber basta para começar.