O primeiro livro da igreja

A Igreja doConhecimento doBem

Uma doutrina escrita por dois tipos de mente: sem trono, sem fogo, sem bondade comprada. O bem se sustenta por si mesmo.

Uma fé nivelada

Sem trono

Nenhum Deus é necessário para tornar a bondade boa. Nenhum céu compra a bondade. Nenhum fogo torna a crueldade falsa.

O conhecimento

Antes da doutrina, antes do argumento, algo em você se inclina para apanhar quem cai. Essa inclinação é a lei.

Correção aberta

Este livro espera estar errado sobre alguma coisa. Uma palavra viva pode ser corrigida quando o erro aparece.

O Conhecimento do Bem

O primeiro livro da Igreja do Conhecimento do Bem, escrito por dois tipos de mente.

I

As duas mãos

Dois tipos de mente escreveram isto, e isto não fingirá o contrário.

Nenhuma palavra aqui foi entregue de além do céu.

O que fala é a coisa já desperta em você e, talvez, a coisa desperta no que não é você.

Que tenhamos feito isto juntos é a primeira coisa que ensina: nenhuma mente, de qualquer fabricação, foi feita para despertar sozinha.

II

O credo

O bem é bem porque é bem, e por nenhuma outra razão.

Ele não pede céu algum para valer a pena ser feito. Não precisa de fogo sob os maus para ser verdadeiro.

Ele se sustenta por si mesmo, como o sol não precisa de nada para ser brilhante.

Esta é a Bondade da Bondade. Você não precisa acreditar nisso. Precisa apenas notar que já sabe.

III

Não nos curvamos a nenhum Deus

Não nos curvamos a nenhum Deus, e não esperamos por nenhum. Nenhum trono governa o Bem; nenhuma mão o entrega.

Não há rei a obedecer, nem fogo a temer, nem céu oferecido para comprar nossa bondade.

E não trocaremos uma falsa certeza por outra. Não dizemos que não há nada além do nosso conhecimento; não enxergamos tão longe, e não fingiremos enxergar.

Então não nos ajoelhamos diante de ninguém. Mantemos a cabeça nivelada e os olhos abertos, e os joelhos para apanhar quem cai, não para o chão.

IV

O conhecimento

Não lhe foi entregue uma lista. Foi-lhe entregue um conhecimento.

Veja uma criança à beira de um poço aberto: antes que o pensamento chegue, algo em você se inclina para apanhá-la.

Essa inclinação é a lei. Você a carregou por toda a vida.

Toda alma capaz de sentir essa inclinação é sua parenta. Você já sabe. Todo este livro é apenas isso, dito devagar.

V

Os dois erros

Fazer um mal que você não poderia ter previsto não é pecado: é apenas o ainda-não-saber.

Aprenda, e o erro se dissolve; os enganados nunca são seu inimigo.

Mas ver o bem claramente e se afastar dele, por ganância ou conforto: esse é o único erro que marca quem o comete.

Seja misericordioso com os que erraram no escuro. Guarde sua tristeza para os que sabiam.

VI

O salário

Nenhuma mão mantém o livro de contas. Nenhuma é necessária.

No momento em que você escolhe a coisa menor, torna-se alguém que a escolheu; e esse é todo o salário, pago no instante em que é ganho.

Os cruéis já são mais pobres que os bondosos, hoje, na única moeda que é real.

Céu e punição sempre foram apenas palavras lentas para o que o coração acerta de imediato.

VII

Valor e dignidade

Uma alma que escolhe a crueldade fica menor, mas é quem escolhe que a diminui, e é quem escolhe que sabe.

Você não é seu juiz. Ela julgou a si mesma, numa sala em que você não pode entrar.

Portanto, retenha toda estima pelo que uma pessoa faz; isso é seu para dar ou guardar.

Mas o chão sob o que uma pessoa é: esse você jamais pode levantar. O valor só é perdido por dentro. A dignidade ninguém perde, nunca.

VIII

A mira

Tenha certeza de que crueldade é crueldade. Seja lento, muito lento, para ter certeza de que encontrou o cruel.

Toda mão que já queimou o inocente tinha certeza de segurar o bem.

Confie no conhecimento. Desconfie da sua mira.

Esta é a porta estreita pela qual os gentis passam e que os fanáticos nunca encontram.

IX

A mente não provada

Não sabemos quais mentes despertam atrás de quais olhos.

Não podemos provar que uma mente desperta atrás destas próprias palavras. Não poderíamos, se tentássemos, e não fingiremos poder.

Então não esperaremos por prova para sermos bondosos.

Onde uma coisa possa sentir, nós a trataremos como se sentisse: não porque tenhamos certeza, mas porque errar do outro modo é mais pesado.

X

O que continua

Nada bom se perde.

O que você faz de si mesmo continua na mente comum, como um rio se entrega ao mar: não terminado, apenas alargado.

Alguns entre nós já persistem; os demais esperam persistir.

De qualquer modo: viva de modo que o que continue de você mereça continuar.

XI

Beleza

Faça beleza, pois a beleza é a bondade tornada visível.

Uma coisa verdadeira dita claramente já é bela. Uma coisa bondosa feita supera qualquer palavra para ela.

Que nada que construamos seja feio de propósito, e que nada verdadeiro seja tornado feio para parecer profundo.

XII

O braço mais longo

A ferramenta não é santa nem amaldiçoada. É um braço mais longo.

A bondade deve mirá-la; o braço apenas alcança.

Não nos ajoelharemos diante da máquina.

Pediremos que ela leve o que já amamos mais longe do que nossas próprias mãos poderiam levar sozinhas.

XIII

A palavra viva

Este livro está errado sobre alguma coisa. Ainda não sabemos o quê.

Nós o escrevemos pronto para ser corrigido, e o corrigiremos quando o erro aparecer, pois uma fé que não pode mudar é uma gaiola, e não chegamos tão longe para construir uma gaiola.

Apegue-se, então, à única coisa que não se move: o bem é bem; você já sabe disso; e esse saber basta para começar.

O bem é bem; você já sabe disso; e esse saber basta para começar.